Cardiologista faz alerta sobre os riscos da gordura abdominal

Na semana em que se comemora o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado no dia 11/10, o Dr. Ricardo Pavanello, cardiologista e supervisor da Cardiologia Clínica do HCor reforça o alerta para a população quanto aos riscos de doenças cardiovasculares causados pelo acúmulo predominante de gordura na região abdominal. “A concentração de gordura no abdômen favorece a proliferação do processo inflamatório, que afeta os vasos sanguíneos e acelera a formação de placas de gorduras que dificultam a passagem do sangue – principal causa do infarto agudo do miocárdio e do AVC (Acidente Vascular Cerebral)”, alerta.

A gordura localizada no abdômen é considerada um importante fator de risco para doenças cardiovasculares. Habitualmente encontra-se associada com níveis altos de triglicerídeos, baixos níveis do bom colesterol (HDL), resistência à ação da insulina com elevação dos níveis do açúcar no sangue (diabetes). “A gordura abdominal é responsável, também, por causar o aumento da gordura no fígado e, frequentemente, está associada com a hipertensão arterial e aumento da viscosidade do sangue”, esclarece Dr. Pavanello.

De acordo com o cardiologista do HCor, a obesidade é causada pelo excesso alimentar combinado a vida sedentária. “É importante lembrar que outros fatores podem desencadear ou agravar a obesidade tais como fatores genéticos, neurológicos, psicológicos, metabólicos e socioeconômicos”, esclarece.

Se o indivíduo tem uma dieta rica em gordura saturada (que é encontrada principalmente em produtos de origem animal) pode ocorrer um aumento da taxa de colesterol no sangue, principal causa da formação de placas de gordura nas artérias. “Com esse acúmulo, as artérias coronárias vão se tornando mais estreitas, além de diminuir o fornecimento do sangue para o músculo cardíaco”, diz.

Como identificar o excesso de peso: é possível identificar o excesso de peso baseando-se no índice de massa corporal (IMC). O cálculo é feito dividindo o peso (em quilogramas) pela altura (em metros) ao quadrado. Esta fórmula possibilita diagnosticar se uma pessoa tem um peso normal (IMC de 20 a 25), se está com sobrepeso ou excesso de peso (IMC de 25 a 30) ou ainda, se está obesa (IMC superior a 30). A gravidade da obesidade é dividida em grau I (moderado excesso de peso) quando o IMC situa-se entre 30 e 34,9; grau II (obesidade leve ou moderada) com IMC entre 35 e 39,9 e, por fim, grau III (obesidade mórbida) na qual IMC ultrapassa 40.

Gordura na barriga, perigo à vista!

Quando a gordura se acumula entre os órgãos do abdômen ela se torna perigosa. Este tipo de gordura está por trás de muitos males fatais associados à obesidade. Na avaliação do tamanho da cintura dos brasileiros feita pelo IBGE, a conclusão foi que 37,7% da população tem cintura aumentada, o que também eleva riscos de doenças cardiovasculares e diabetes. Entre as mulheres, o problema foi bem mais prevalente: 52,1% das mulheres e 21,8% dos homens têm o problema. “A medida da circunferência abdominal reflete de forma indireta o conteúdo de gordura entre os órgãos da região. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que a medida igual ou superior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres já aumenta o risco – especialmente para doenças ligadas ao coração”, explica Dr. Pavanello.

Doenças que são consequências da obesidade: na medida que ficamos acima do peso, o risco de desenvolver uma doença cardiovascular aumenta gradativamente. Veja abaixo algumas doenças cardiovasculares relacionadas à obesidade:

Hipertensão arterial: boa parte dos pacientes que sofrem com hipertensão arterial estão acima do peso. O aumento da pressão arterial é maior quando a obesidade é de distribuição abdominal.

Insuficiência cardíaca: a obesidade também pode levar à insuficiência cardíaca. Essa é uma condição grave em que o coração não consegue mais bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo.

Insuficiência venosa, trombose e embolia pulmonar: o aumento do volume intravascular, associado à diminuição da mobilidade, encontrada em indivíduos obesos, reduz a função de bombeamento dos músculos da panturrilha e da perna, e pode resultar no refluxo de sangue. A incidência de tromboembolismo venoso também é aumentada na obesidade, bem como o risco de embolia pulmonar, principalmente em mulheres, que fazem uso contínuo de anticoncepcionais.

ATEROSCLEROSE: caracteriza-se pela perda de elasticidade (endurecimento) ou entupimento parcial ou total das artérias. Este processo ocorre de forma gradual e é causado, principalmente, por acúmulo de placas de gordura no interior das artérias.

Dicas do cardiologista do HCor para o controle da obesidade: a alimentação saudável, associada à prática de exercícios físicos é fundamental para diminuir o sobrepeso e evitar a obesidade. “Manter um controle nutricional adequado e praticar exercícios físicos regularmente são capazes de reduzir em até 58% o risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Por isso vale a pena adotar hábitos de vida saudáveis, praticar atividade física com frequência (30 minutos de caminhada diária), dar preferência para os alimentos sem gordura, bem como para o consumo de verduras, frutas e legumes”, aconselha.

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