Definir o queixo é a preocupação estética da moda

Durante uma ligação com o WhatsApp, a executiva de marketing Debra Reynolds, de Manhattan, começou a notar que o seu maxilar estava menos definido. “Era tudo o que eu conseguia ver no espelho”, conta ela. “Nas reuniões, eu me conscientizei de que estava constantemente empurrando meu queixo para fora como um pato.” Foi assim que Reynolds, de 47 anos, procurou Matthew White, cirurgião plástico facial, para resolver o problema.

 

A cirurgia, que White chama de Golden Age Lift, deixa a linha do queixo e a parte de baixo do rosto mais firmes e definidas, o que, para muitos, é um sinal de juventude e beleza. “No dia seguinte à minha cirurgia, quando o doutor White tirou os curativos, meu maxilar parecia o da Angelina Jolie”, afirma Reynolds sobre sua operação, que custou cerca de US$18 mil.

 

O crédito para o novo foco feminino na linha do queixo deve ir para videoconferências e redes sociais, já que essa parte sempre foi uma característica estrutural fundamental para os homens (um sinal de masculinidade) e para as modelos (que confiam na estrutura óssea para serem fotogênicas).

 

Em 2017, segundo dados coletados pela Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial, 55 por cento dos cirurgiões plásticos faciais tiveram pacientes que expressaram o desejo de aparecer melhor em selfies. As selfies também podem distorcer as percepções que as pessoas têm de sua aparência.

 

“As pessoas estão vendo mais fotos de si mesmas e se tornando mais sensíveis à própria aparência”, explica White, professor-assistente clínico de Otorrinolaringologia – cirurgia de cabeça e pescoço – no Centro Médico Langone da NYU. “Essa tendência levou mais pacientes para a nossa clínica porque eles estão preocupados com seus queixos.”

White diz que seu foco está em apoiar os três ligamentos-chave que definem uma linha de mandíbula jovem e reembalar o tecido conjuntivo – em alguns casos reposicionando as almofadas de gordura – em vez de apenas cortar a pele e puxar para trás. O resultado é um visual mais natural, mas ainda assim esculpido.

 

“Estamos aprendendo que a estrutura óssea do rosto é muito mais importante do que pensávamos antes”, explica White, citando um estudo de 2017 sobre o envelhecimento do esqueleto facial pulicado no JAMA Facial Plastic Surgery.

 

Dendy Engelman, dermatologista e professora-assistente do Hospital Albert Einstein, conta que também tem notado um aumento no número de pacientes que buscam um maxilar mais esculpido.

 

“É um fato menos conhecido que, além da perda de colágeno e elastina ao envelhecer, também reabsorvemos ossos, então todo o suporte do rosto está na verdade encolhendo com o tempo”, diz ela. “Por isso, vemos como resultado o aumento da papada e a flacidez na parte inferior da face.”

 

Nos últimos anos, apenas um lifting poderia fazer o que era necessário para remodelar o queixo. Agora, médicos e esteticistas têm um arsenal de tratamentos, tanto cirúrgicos quanto não invasivos, ao alcance das mãos.

 

O AirSculpt, procedimento inventado pelo cirurgião plástico Aaron Rollins, de Los Angeles, é uma forma mais direcionada de lipoaspiração. Ao contrário da técnica, que remove a gordura raspando-a e aspirando-a, o AirSculpt usa uma cânula menor e mais precisa que funciona em um movimento rápido de saca-rolhas para selecionar células-alvo.

 

“Eu consigo arrancar cada célula de gordura individualmente – é quase como usar um Photoshop no rosto”, afirma Rollins, que fundou uma cadeia de clínicas de cirurgia chamada Elite Body Sculpture. O procedimento custa cerca de US$5 mil para a região da mandíbula.

 

O cirurgião plástico Adam Kolker, professor clínico associado de cirurgia na Escola de Medicina Icahn, em Mount Sinai, diz que vê bons resultados no FaceTite, procedimento que aplica energia de radiofrequência sob a pele por meio de uma cânula inserida em pequenos pontos de acesso.

 

“É uma mudança de paradigma em nossa habilidade de fazer o contorno do queixo porque você está literalmente atingindo o plano dos tecidos que precisam ser tratados, criando uma lesão térmica controlada”, explica Kolker.

 

O procedimento, que custa de US$7.500 a US$10 mil para a região da mandíbula, ativa a resposta natural de cura do corpo, que vai produzir mais colágeno para gradualmente enrijecer a área tratada. Agora, Kolker vai começar a oferecer o Embrace RF – ou seja, um FaceTite combinado com o Morpheus8, uma versão mais avançada de um tratamento externo de radiofrequência com microagulhas, que funciona na camada superficial da pele, para melhorar os resultados.

 

Para aqueles que não gostam de cirurgias, a esteticista Jeannel Astarita, fundadora do Just Ageless, no Howard Hotel, no SoHo, em geral recomenda a Ultherapy, uma terapia não invasiva que aplica um ultrassom na pele para aquecer a derme mais profunda e estimular o levantamento e o enrijecimento da pele.

 

A médica assistente Lauren Abramowitz, fundadora da Park Avenue Skin Solutions, em TriBeCa, usa um híbrido de Kybella (injeção para derreter a gordura), Botox e preenchimento de tecidos moles para transformar um queixo fraco em um mais forte. (A Sociedade Americana de Cirurgia Dermatológica relata que tratamentos como o Kybella, mais comumente usados para reduzir a gordura abaixo do queixo, aumentaram 23 por cento em 2017.

 

Quem deseja algo menos invasivo tem opções como um tratamento facial da esteticista Mila Moursi, de Beverly Hills, na Califórnia, que tem como crédito manter Charlize Theron, Jennifer Aniston e Jane Fonda prontas para as câmeras. No spa de Moursi e na Barneys New York, os clientes podem experimentar seu Signature Firming Treatment (US$250), que inclui massagem manual e microcorrentes para firmar a região do maxilar.

 

Para uma solução temporária, sempre há a maquiagem. Elyse Reneau, artista global profissional da Too Faced Cosmetics, demonstra em um vídeo do Youtube como usar o novo corretivo Super Coverage 4-in-1 (US$29), da Too Faced, para criar uma linha de queixo mais firme.

 

Seu conselho: “Comece atrás da orelha, desenhe uma linha reta em seu queixo com uma sombra que seja de duas a três tonalidades mais escuras que seu tom de pele, depois espalhe com uma esponja úmida para as laterais do pescoço”.

 

Entre todas as opções, Gracia Tapia, paciente de Rollins, ficou feliz ao investir US$5 mil em um procedimento no maxilar. A mudança em sua aparência levou Tapia, de 39 anos, uma oficial de condicional de Riverside, na Califórnia, a começar a fazer exercícios regularmente e a ficar mais atenta com o que come. Com isso, perdeu quase 32 quilos.

“Sempre costumava pedir às pessoas para me perguntarem antes de publicar uma foto minha e agora eu não ligo mais. Adoro meu visual.”

 

Por Tatiana Boncompagni

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